Enquanto isso na cheia...

January 23, 2016

Texto: Giovani Papa

Fotos: Rogerio Millar

 

Muitos pescadores que se aventuram nas águas amazônicas tem como foco a pesca do tão cobiçado tucunaré, porem, a grande diversidade da ictiofauna regional nos dá muitas outras opções de peixes extremamente esportivos. A temporada da pesca dos tucunarés se dá na época em que o nível das águas dos rios amazônicos encontra-se baixo, no entanto a pescaria no norte não se resume somente a um peixe e sim vários outros que podem ser capturados nas épocas das cheias. A incidência dos grandes bagres amazônicos durante a cheia é fantástica e para aqueles que praticam a pesca com artificiais não posso deixar de citar a incrível pesca do Apapá, conhecido também em outras regiões como sardinhão ou dourada. 

 

 

 

  

O Apapá é um peixe com corpo comprimido, cabeça pequena, olhos grandes  e boca pequena  ligeiramente voltada para cima. Possui região pré-ventral serrilhada, nadadeira adiposa e linha lateral, geralmente, ausente. Sua coloração pode ser amarelada ou prateada dependendo da espécie Pellona castelnaeana e P. flavipinnis. Pode atingir mais de 60 cm de comprimento total e ultrapassar os 5kg. É um peixe carnívoro que se alimenta de insetos e pequenos peixes principalmente na superfície. Tendo esta característica é sem dúvida nenhuma um prato cheio para aqueles que estão em busca de esportividade. A pesca com iscas artificiais deste peixe é extremamente produtiva. Devido ao formato de sua boca e a quantidade de saltos que faz após ferrado a chance dele escapar da isca não é pequena, seu malabarismo é de tirar o chapéu e de deixar qualquer pescador queixo caído.

 

Foi exclusivamente, nesta magnífica espécie o meu foco em minha última expedição pelo amazonas. O local escolhido foi o Rio Aripuanã e seus afluentes que conta com uma vasta variedade de pontos para a captura deste peixe. Após desembarcar na balsa em um pequeno vilarejo conhecido como Matá-Matá as margens do rio começamos nossa subida rumo à pousada Pira Açu em companhia de meu pai e alguns turistas de Goiânia. Chegando ao nosso destino traçamos logo nossa estratégia e já começamos a preparar o equipamento de forma mais adequada para ir em atrás dos Apapás. Varas entre 12 e 17 libras foram montadas em busca da melhor estratégia para capturar tal peixe.

 

Subindo o rio, há cerca de poucos minutos de navegação partindo da pousada, encontra-se o Paxiúba, um rio secundário que deságua no Aripuanã e que seria nosso primeiro ponto de pesca. Este é um rio mais estreito de uma grande beleza. Seguindo em frente chegamos próximo a uma grande corredeira chama de “Tombo Grande“ pelos guias locais. Começamos a pesca com iscas de superfície e logo nos primeiros arremessos meu pai teve um ataque em sua isca onde um pequeno cardume de apapás seguiu a isca até ao lado barco, ficamos bem empolgados, mas após este peixe não conseguimos capturar mais nenhum. Trocamos iscas, mudamos de pontos várias vezes e nada dos Apapás. Ao fim do dia conseguimos achar um pequeno cardume deles justamente na boca do Paxiúba onde conseguimos capturar alguns pequenos exemplares. Uma virada no tempo e uma subida brusca do rio fez com que nós pensássemos bastante em qual a seria estratégia utilizada no dia seguinte.

 

 

​Optamos então subir rio até a imponente cachoeira de Samaúma, situada há cerca de 1:00h de navegação subindo o Aripuanã. Uma das vantagens da pousada é sua localização, que além de ser a única estrutura existente nesta parte alta do rio, temos muitas opções de pesca que compreende cerca de 60km de rio onde somente os visitantes da Pira Açu tem condições de explorar. Logo em nossa chegada a Samauma de longe tivemos condição de enxergar um enorme cardume de Apapás atacando os Lambaris. Lá sim capturamos inúmeros exemplares sem contar a grande quantidade de peixes que escaparam de nossas iscas. Os cardumes destes peixes estavam espalhados por todos os lados naquela região. Mesmo tendo ido inúmeras vezes no Aripuanã, eu nunca havia presenciado tanto Apapá nem lá e em nenhum outro lugar. Havia momentos que eu simplesmente parava de pescar só para observar aqueles imensos cardumes atacando os lambaris que tentavam escapar a qualquer custo dos seus predadores. Eram milhares de peixes e centenas de explosões na superfície. Nos divertimos muito naquele dia mas no entanto os peixes menores não davam tempo para os grandes. Vimos vários gigantes, mas não capturamos nenhum. Mudamos várias vezes as iscas, optando por tamanhos maiores e mesmo assim os pequenos eram os que sempre chegavam primeiro. Na varinha de 12 lb com iscas pequenas era até covardia, todo arremesso era um peixe, sem brincadeira nenhuma “TODO ARREMESSO ERA UM PEIXE”.

 

 

Lógico que nossa pescaria estava mais do que feita, já havíamos presenciado inúmeros ataques, saltos, peixes escapando e no momento que a isca mal batia na água outro já estava atacando a isca, mas mesmo assim o pescador sempre quer mais, e meu intuito era encontrar as grandes douradas do amazonas. Desta forma resolvi juntamente com meu guia que não iríamos atrás dos cardumes e sim a pontos onde teríamos menos atividade de peixes, porém de maior porte. Tivemos uma cheia brusca de um dia pro outro no rio e durante uns dois dias nossa pescaria foi bem fraca. No entanto nos dias seguintes conseguimos encontrar os grandes Apapás.

 

O rio Guariba, outro afluente do Aripuanã, é bem conhecido na região pelos grandes tucunarés, e a partir de agora digo a vocês que também pode ser referencia de grandes Douradas. Abaixo da boca de um dos lagos do Guariba, bem no meio de uma curva presenciei outro cardume de Apapás só que desta vez só havia peixes grandes, mais uma vez eu parava minha pescaria e ficava contemplando aquelas cenas dos peixes saltando atrás de suas presas. Foi um momento indescritível, as cores dos peixes, hora douradas, hora prateadas aparecendo em saltos dignos de medalhas em olimpíadas foi realmente espetacular. Com poucos arremessos conseguimos capturar belos exemplares e cumprir nossa missão.

 

Falo a vocês que se tiverem oportunidade de fazer uma pescaria como esta não perca tempo. Não desmereça esta incrível espécie que é o Apapá. A briga é intensa, muitos saltos, longas tomadas de linha e um belíssimo peixe. O Amazonas tem muito peixe que pode nos proporcionar grandes pescarias em épocas cheias e a Dourada é sem dúvida nenhuma uma ótima opção enquanto esperamos pelos tucunarés.

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